

Este artigo é um trecho do guiaShortform sobreJustiça, de Michael Sandel. Shortform os melhores resumos e análises do mundo sobre os livros que você deveria ler.
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O que é o comunitarismo? Em que o comunitarismo difere do liberalismo e do utilitarismo?
O comunitarismo é uma ideologia política que prioriza a ligação entre o indivíduo e a comunidade. Segundo o filósofo político Michael Sandel, o comunitarismo é o melhor princípio para a organização das sociedades humanas.
Continue lendo para saber mais sobre o comunitarismo, segundo Michael Sandel.
Comunitarismo
O que é o comunitarismo? O comunitarismo defende que o objetivo do Estado é criar e preservar uma comunidade de cidadãos, promovendo o engajamento público, os laços de solidariedade e o sentimento de pertencimento. Segundo Sandel, sua versão do comunitarismo combina os melhores aspectos do utilitarismo, do libertarianismo, do liberalismo e da teoria política de Aristóteles, evitando ao mesmo tempo os aspectos moralmente questionáveis:
Utilitarismo: A visão de Sandel compartilha da preocupação utilitarista com o bem público geral, concentrando-se em servir à comunidade como um todo. Ao contrário do utilitarismo, porém, a filosofia de Sandel considera os indivíduos como membros da comunidade inerentemente valiosos, independentemente de prazeres ou sofrimentos.
Libertarianismo: Assim como os libertários, Sandel reconhece os benefícios do mercado livre como ferramenta para organizar e gerar riqueza. Ele também acredita que o Estado deve, até certo ponto, respeitar as liberdades individuais. No entanto, Sandel não defende a desregulamentação total dessas áreas; em vez disso, defende que o Estado deve gerenciar e regulamentar a conduta individual e o mercado para garantir que sirvam à comunidade como um todo.
Liberalismo: Assim como os filósofos liberais, Sandel defende um nível mínimo de decência, respeito e direitos pessoais para todos os seres humanos. No entanto, ele discorda da visão liberal de que essas obrigações morais básicas derivam apenas da razão. Ele argumenta que as pessoas também têm obrigações morais para com seus entes queridos e suas comunidades. Sandel também discorda da visão liberal de que os governos devem evitar questões de moralidade — ele afirma que as pessoas devem debater essas questões para determinar os objetivos e as diferenças de sua comunidade.
A teoria política de Aristóteles: Sandel concorda que o Estado deve ajudar as pessoas a levar uma vida plena e virtuosa. No entanto, ao contrário de Aristóteles, ele se opõe a forçar as pessoas a assumir determinados papéis e a distribuir bens sociais com base no mérito e no “mérito moral”. Em vez disso, Sandel acredita que o Estado deve incutir valores de afinidade, solidariedade e participação cívica, para que todos possam debater livremente sobre a melhor e mais moral maneira de viver e distribuir os bens sociais.
(Shortform : Embora Sandel não vincule sua versão do comunitarismo a nenhuma religião específica, alguns filósofos (incluindo o filósofo inglês do século XVII Tomás Moro) defendem que a religião é necessária para o comunitarismo, pois proporciona os valores compartilhados necessários para que as pessoas colaborem e se organizem. Embora se oponha à discriminação religiosa, a Utopia descreve uma comunidade autossustentável construída sobre a fé e os ideais católicos. Em Utopia, os princípios religiosos incentivam os cidadãos a priorizar uns aos outros e a comunidade como um todo em detrimento das coisas materiais — garantindo que todos tenham sempre o suficiente para sobreviver e que os cidadãos colaborem em vez de competirem pela riqueza.)
| Além do Justo e do Injusto: Friedrich Nietzsche Conforme ele explica na introdução de Justiça, Sandel acredita que a filosofia moral e política é um projeto de reflexão e ajuste de suas crenças. Sua visão comunitarista reflete isso, pois incorpora as ideias favoritas de Sandel, provenientes de diversas filosofias, em um todo coeso. No entanto, outra abordagem filosófica argumenta que, em vez de sintetizar ideias de pensadores anteriores, devemos rejeitá-las em favor de algo inteiramente diferente. Um dos pensadores mais significativos que utiliza essa abordagem é o filósofo alemão do século XIX Friedrich Nietzsche. Nietzsche rejeitou veementemente a ideia de “verdades universais” à qual muitas filosofias do passado recorriam, argumentando, em vez disso, que não havia bem ou mal objetivos e que as pessoas apenas usavam esses conceitos para se iludir ou se beneficiar. Ele sugeriu que, em vez de recorrer à moralidade objetiva, deveríamos reconhecer que a vida é inerentemente competitiva, hierárquica e, muitas vezes, brutal. Vamos ver como Nietzsche responde a duas das principais ideias acima: Valor humano inerente: o comunitarismo deMichael Sandel concorda com a visão liberal e libertária de que os indivíduos têm valor inerente — isso fundamenta sua crença na igualdade de direitos e liberdades. Nietzsche rejeitou essa ideia, acreditando que se tratava de uma fantasia coletiva nascida da ideia cristã de que Deus amava a todos igualmente. Se alguém visse a realidade tal como ela é, sem quaisquer ideias abstratas sobre o universo, afirmava Nietzsche, então não veria nenhuma evidência de que as pessoas fossem inerentemente iguais ou valiosas. Em vez disso, veria que os humanos são como outros animais: alguns são mais fortes ou mais inteligentes do que outros, e nossas vidas não têm nenhum propósito ou valor maior além de nossa capacidade de sobreviver e dominar os outros. Nietzsche acreditava em abraçar isso em vez de se esconder disso. Estrutura comunitária: Assim como os utilitaristas e Aristóteles, Sandel define comunidades como um grupo de pessoas trabalhando colaborativamente em prol de um bem coletivo. Isso fundamenta suas visões sobre a regulamentação do mercado e o serviço público. Nietzsche, por outro lado, acreditava que um seleto grupo de indivíduos obstinados e inteligentes deveria se erguer para guiar as “massas” fracas e sem rumo. Em uma sociedade fraca e decadente, dizia Nietzsche, as pessoas no topo não são escolhidas apenas pela vontade e pela força, mas sim por meios arbitrários ou pela vontade dos fracos — coisas como democracia, monarquia hereditária ou religião. Em uma sociedade forte, no entanto, ele afirmava que os mais determinados podem liderar e alcançar a grandeza por meio de conquistas militares ou obras de arte. |

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- Como é um governo e uma sociedade moral e justos
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