
Este artigo é um trecho do Shortform doAs 48 Leis do Poder”, de Robert Greene. Shortform os melhores resumos do mundo dos livros que você deveria ler.
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Visão geral da Lei nº 26: Mantenha as mãos limpas
Você inevitavelmente cometerá erros ou precisará lidar com problemas complicados. Mas é fundamental manter as mãos limpas. Encontre bodes expiatórios para culpar e recorra a intermediários ou facilitadores para resolver os problemas, disfarçando seu envolvimento.
Sublei nº 1 da Lei 26: Esconda seus erros
De acordo com a Lei 26 das 48 Leis do Poder, seu bom nome e sua reputação dependem mais do que você esconde do que do que você revela. Todos cometem erros, mas aqueles que são realmente espertos conseguem escondê-los e garantir que a culpa recaia sobre outra pessoa. É preciso sempre ter à mão um bode expiatório conveniente para esses momentos.
Princípios
Os erros em si não prejudicam as pessoas influentes — o que importa é como elas lidam com eles. Dar desculpas ou pedir perdão são as piores respostas possíveis. As desculpas nunca satisfazem ninguém, e pedir perdão só faz com que você se afunde ainda mais. Elas levantam dúvidas sobre sua competência (talvez você também tenha cometido outros erros?), suas intenções e seus motivos.
Quanto mais rápido você conseguir desviar a atenção para outra pessoa, melhor. Você precisa de um bode expiatório para manter as mãos limpas.
A prática de recorrer a um bode expiatório tem uma longa história — os sacerdotes hebreus transferiam os pecados do povo para um bode (daí a origem do termo “bode expiatório”), que era abandonado no deserto. Em algumas civilizações, um bode expiatório humano era sacrificado aos deuses.
Isso funciona tanto para quem usa o bode expiatório quanto para o público-alvo, pois as pessoas estão acostumadas a transferir a culpa. É natural que as pessoas busquem a culpa nos outros, em vez de olharem para dentro de si mesmas para explicar seus erros. E quando a designação do bode expiatório é feita por terceiros, elas aceitam a culpa atribuída a ele.
É claro que os líderes modernos que não querem ser vistos como falíveis continuam a recorrer a bodes expiatórios até hoje. Quando a Revolução Cultural de Mao fracassou, ele culpou seu secretário pessoal e um membro de alto escalão do partido. FDR queria manter uma reputação de imparcialidade e transparência, por isso costumava usar seu secretário, Louis Howe, para realizar manobras sujas e assumir a culpa caso elas viessem à tona (um papel que Howe aceitou).
Outras coisas que é preciso saber sobre o uso de bodes expiatórios:
- Além de transferir a culpa pelos erros, um bode expiatório pode servir de lição para que os outros evitem contrariar o chefe.
- As partes inocentes são, às vezes, a melhor opção, já que não têm poder e seus protestos podem ser interpretados como um sinal de culpa.
- Você precisa tomar cuidado para não criar um mártir — lembre-se de manter os holofotes voltados para você mesmo como vítima, aquele que foi traído pelos incompetentes ao seu redor.
- Uma pessoa com mais poder pode ser uma escolha eficaz se for uma figura antipática.
- Pode ser útil escolher um colaborador próximo, o que cria um cenário de “queda do favorito”. Quando você joga seu antigo amigo aos lobos, as pessoas acreditam na culpa dele, pois não esperariam que você tratasse um amigo com tanta crueldade.
Colocando a Lei 26 em prática
Aqui está um exemplo de como aplicar a primeira sublei da Lei 26 As 48 Leis do Poder: quando um general chinês calculou mal o suprimento de alimentos de seu exército, ele teve que reduzir as rações enquanto aguardava um novo carregamento. As tropas, naturalmente, ficaram insatisfeitas, e espalharam-se rumores de que o general estava guardando comida para si mesmo enquanto privava os demais. Havia o risco de uma revolta, então o general fez do seu chefe de abastecimento um bode expiatório e mandou executá-lo.
Sublei nº 2 da Lei 26: Use a “Pata de Gato”
Se for preciso fazer algo impopular ou desagradável, você precisa de um “braço direito” ou de alguém que resolva o problema para fazer o trabalho sujo, evitando que você se prejudique ou seja visto como responsável. Isso ajuda você a manter as mãos limpas. (O termo vem de uma lenda antiga sobre um macaco que agarrou a pata de seu amigo, o gato, para tirar castanhas do fogo. Ao usar o gato, ele conseguiu o que queria sem se machucar.)
Princípios
A “pata de gato” traz duas vantagens: preservar as aparências (manter as mãos limpas) e economizar energia e esforço. Assim como os bodes expiatórios, talvez você precise se livrar da “pata de gato” depois que ela tiver cumprido seu propósito.
O vigarista americano Joseph Weil (o “Yellow Kid”) costumava usar “cat’s paws” para disfarçar seus esquemas enquanto se aproximava o suficiente para enganar sua vítima. Ele identificava alguém que a vítima já conhecia para servir como seu “cat’s paw” e fingia envolver essa pessoa em um empreendimento lucrativo. O “braço direito” geralmente sugeria incluir um amigo rico (o verdadeiro alvo de Weil), que cairia prontamente no esquema por confiar no “braço direito”.
De acordo com a Lei 26 As 48 Leis do Poder, você também pode usar um “cat’s paw” para espalhar informações falsas para o seu alvo, que não suspeitará que você seja a fonte.
Outra opção, caso queira ganhar a simpatia de um superior, é se colocar à disposição como um instrumento. Se você conseguir, por exemplo, proteger seu chefe de riscos ou recriminações, aumentará seu poder. Mas não se gabe nem lembre ao seu chefe que ele lhe deve um favor.
Aqui está um exemplo de como usar uma “mãozinha” para economizar energia e esforço. Um famoso terapeuta que atendia casais sabia que os maridos geralmente se recusavam a participar das sessões de aconselhamento com as esposas. Por isso, ele usava a esposa como um “instrumento”. Ele a recebia sozinha para a sessão e, quando ela falava sobre o marido, o terapeuta fazia comentários provocativos que sabia que ela repetiria em casa. Isso irritava o marido, e ele a acompanhava na sessão seguinte para esclarecer as coisas.
Colocando a Lei 26 em prática
Aqui está outro exemplo de como aplicar a Lei 26 As 48 Leis do Poder: a rainha Cleópatra, do Egito, usou com sucesso Júlio César e Marco Antônio como marionetes involuntárias para garantir seu trono, livrando-se de seus inimigos. Eles eliminaram seus irmãos rivais e utilizaram seus exércitos (gastando sua energia e recursos) em seu favor. É claro que sua habilidade de sedução foi um fator para seu sucesso, mas ela também era uma mestre em estratégia.
Você também pode fazer um “pata de gato”, como fez um japonês chamado Daizen. Daizen soube que um amigo havia pedido dinheiro emprestado para ajudar alguém e corria o risco de não conseguir pagá-lo de volta. Ele decidiu ajudar o amigo indiretamente, para não ofendê-lo nem fazê-lo se sentir em dívida. Daizen elogiou efusivamente uma pintura que seu amigo possuía, até que o amigo se ofereceu para lhe dar o quadro. Daizen aceitou, mas enviou um vaso raro em troca. Ele mencionou o nome do credor do amigo como um colecionador desse tipo de vaso, que talvez quisesse comprá-lo. O amigo conseguiu usar o dinheiro para saldar sua dívida, sem se sentir em dívida com Daizen.
Diazen se colocou à disposição do credor para satisfazê-lo e livrar seu amigo de uma dívida onerosa. Esse é um bom exemplo a ser seguido ao fazer favores a amigos.
Exceções à Lei 26
Existem exceções à Lei 26 As 48 Leis do Poder? Há alguma situação em que você não deva manter as mãos limpas? De vez em quando, talvez seja melhor admitir um erro, se isso gerar simpatia em relação a você. Ou talvez você queira que as pessoas saibam que você está por trás de uma ação, a fim de intimidar seus subordinados.
Mas é preciso ter muito cuidado em ambos os casos — a pata de um gato costuma ser a melhor opção. Em geral, é melhor seguir a Lei 26 As 48 Leis do Poder: Mantenha as Mãos Limpas.
———Fim da prévia———
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